A lei pioneira entrou em vigor oficialmente em 10 de dezembro de 2025, impondo multas milionárias às Big Techs e reacendendo o debate sobre saúde mental digital.
1. O Que Aconteceu? (O Fato Histórico)
Desde ontem, 10 de dezembro de 2025, a Austrália se tornou o primeiro país do mundo a implementar uma proibição nacional abrangente ao acesso de redes sociais por menores de 16 anos. A legislação, conhecida como Online Safety Amendment (Social Media Minimum Age) Act 2024, foi aprovada pelo parlamento em novembro de 2024 e teve um período de adaptação de um ano antes de entrar em vigor.
O Primeiro-Ministro Anthony Albanese descreveu a medida como um passo necessário para permitir que as crianças “tenham uma infância” longe das telas, incentivando-as a “praticar esporte, tocar um instrumento ou ler um livro” em vez de navegar em feeds infinitos.
2. Quem Está na Mira? (A Lista de Bloqueio)
A lei não afeta toda a internet, mas foca especificamente em plataformas consideradas viciantes ou prejudiciais. As empresas que devem bloquear o acesso incluem:
- TikTok
- X (antigo Twitter)
- Snapchat
- YouTube (a versão principal; o YouTube Kids permanece liberado)
- Twitch e Kick.
O que continua permitido? Para não isolar completamente os jovens, serviços de mensagens e plataformas educacionais ou de jogos foram isentos. Isso inclui WhatsApp, Messenger Kids, Google Classroom, Discord (em muitos contextos de jogos) e YouTube Kids.
3. A Conta Chegou: Multas de 49,5 Milhões
A responsabilidade pelo bloqueio recai inteiramente sobre as empresas de tecnologia, não sobre os usuários ou seus pais. Não haverá multas para crianças que conseguirem burlar o sistema. No entanto, as plataformas que falharem em tomar “medidas razoáveis” para verificar a idade dos usuários enfrentarão multas pesadas de até 49,5 milhões de dólares australianos (aprox. US$ 33 milhões).
4. Por Que Agora? (A Justificativa da Saúde Mental)
O governo australiano argumenta que as redes sociais agem como um “experimento não regulamentado” na mente dos jovens. O objetivo central é proteger a saúde mental de adolescentes contra:
- Cyberbullying desenfreado.
- Conteúdo prejudicial (distúrbios alimentares, violência, etc.).
- Algoritmos viciantes desenhados para prender a atenção. Pesquisas indicam que 77% dos pais australianos apoiam a medida, vendo-a como um suporte necessário para limitar o tempo de tela em casa.
5. Como Vai Funcionar na Prática?
Esta é a parte mais polêmica. As plataformas são obrigadas a implementar sistemas de verificação de idade (age assurance). Isso pode incluir tecnologias de estimativa de idade por reconhecimento facial ou outros métodos de análise de dados. Para proteger a privacidade, a lei proíbe que as plataformas obriguem os usuários a enviar documentos de identidade do governo (como passaporte), exigindo que ofereçam métodos alternativos que não retenham dados pessoais permanentemente.
6. A Reação: Críticas e Desafios
Apesar do apoio dos pais, a medida enfrenta resistência:
- Os Jovens: Muitos adolescentes relatam sentir-se isolados e “punidos”, perdendo seus principais canais de conexão social e expressão criativa.
- Especialistas: Alguns acadêmicos de saúde mental alertam que o banimento total pode isolar jovens vulneráveis (como LGBTQIA+ ou aqueles em áreas rurais) que encontram apoio online. Eles argumentam que ensinar “literacia digital” seria mais eficaz do que proibir.
- Desafio Legal: Já existem processos iniciados por jovens argumentando que a lei viola direitos constitucionais implícitos de liberdade de comunicação política.
Conclusão: O Mundo Está de Olho
A Austrália se tornou o “laboratório” global para regulação da internet. Países como França e estados dos EUA estão observando atentamente. Se a lei australiana for bem-sucedida em melhorar a saúde mental sem destruir a privacidade, poderemos ver um efeito dominó em legislações ao redor do mundo.





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